14/10/2009

Confissões.

Eu amo olhos negros. Gosto de olhar de frente. Gosto do cheiro da chuva no asfalto quente. Gosto do sol de verão em Santos. De catar conchas na orla. Gosto de ler até cansar. De todos os filmes de terror, bem de noite. Gosto de vinho tinto, mas adoro mais um Lambrusco. Gosto de ir ao cinema, mais do que alugar dvd´s. Gosto de pessoas inteligentes, me encantam quem tem muita estrutura mental e praticam isto...risos. Gosto do mar, quero aprender a velejar. Sinto falta do meu padrinho, meu avô materno. Sinto saudades de minha irmã caçula que está em Londres agora. Nos momentos difíceis, emocionais, o chocolate é um trunfo, e uma amiga ou amigo, sempre está comigo para me ouvir. Ou me ler. Gosto de números de telefone, decoro todos os que eu mais uso. Gosto de receber flores. Mas adoro presentear quem eu tenho apreço. Gosto de mergulhar, mas ainda não aprendi a nadar, pois é um dos medos ainda para superar. O outro é de perder a liberdade. Não gosto de cantar, porque não sou muito fã da minha voz, embora em alguns eventos, com videokê eu cante...risos. Amo pizza em qualquer uma das vinte e quatro horas do dia. Gosto de fazer amigos, e me esforço para conservá-los. Gosto de pessoas sinceras, abomino a hiprocrisia. Sou anti-tabagista. Sou canhota. Sou insone. Gosto de estar perto do meu pai e ouvir o que ele tem a dizer, mesmo que eu nem sempre concorde. Gosto de ver meu irmão Antonio César dormindo e de me lembrar como ele era quando pequeno... Sinto falta de algumas pessoas com quem me relacionei e perdi contato, o Cássio, meu enteado durante onze anos, é de quem eu mais sinto a ausência (perdi contato depois de me separar do pai dele). Outras pessoas, que tenho saudade e não estão mais aqui são o amigo Victor Hugo, um super herói, o amigo Sérgio Luis e a professora Carmem Cely de Moura. Sinto falta também da Rosely Aguiar de Pinho Vieira, que está em Uchôa, em missão religiosa com o marido, sinto falta dos doces compartilhados, de subir o emissário em julho, e descer e mergulhar de roupa e tudo aos dez anos, com ela, e voltar para casa, trocar de roupa e assistir filme a noite, numa época que não existia vídeo nem dvd em casa...sinto falta dos amigos do T.U.B.O, e de ver o João Carlos, o "morto" no som da igreja São Judas Tadeu trabalhando e conversando comigo. Sinto falta de algumas conversas insones com o meu amigo Benjamim, de filosofar da vida com o amigo jornalista Ventura, o "Lex", até altas horas, sinto falta, de quando o meu irmão Antonio César era pequeno e dormia no mesmo sofá que eu, porque cabia...risos. Sinto falta às vezes, da companhia da minha sogra, Lilian, que tinha sempre uma frase de motivação para passar, e me passou muitas através de livros que me deu. Sinto falta de tomar café da manhã acompanhada do Walber, bem no começo, de uma época em que o casamento dava certo, mas também não sinto falta alguma, do período em que percebi que já não era mais, para ser, a convivência. Sinto falta do mentor Águia, que muito me ensinou na consultoria, da Arthur Andersen, e sinto falta da equipe de trabalho em Campinas, dos dias árduos e extensos de trabalho até tarde, quando do projeto de privatizaçã do CPqD da Telebrás.
Sinto falta de visitar mais o Orquidário em Santos. De meus primeiros alunos na Unimonte, de Hotelaria. Sinto falta do convívio com os coordenadores, especialmente do Pedro Andó, de uma época em que supervisionei o curso de Ciências Contábeis e dos ensinamentos do professor Márcio Paz Colmenero e da coordenação do Gerson Ribeiro Prando.
Sinto falta de andar na praia e catar conchas com meu pai, de poder subir em seus ombros por ser pequena e "leve". De assistir Flash Gordon com minha mãe, de rever os "Irmãos Cara de Pau I". Sinto muita falta de ir ao circo, pois amo tudo que tem a haver com ele. Sinto falta da turma da faculdade, do Rubens Artave, do Rogério Pereira Gambini, e de outros amigos de lá. Sinto falta das noites de sexta feira, esticadas no Carioca com o chopp em companhia do Prof. Ms. Pepe. Sinto falta das aulas do professor Ynel Alves de Camargo. Gostei de muitas coisas que vivi na época da faculdade. Mas gosto agora, do que vivo, do outro lado, como professora, apesar dos percalços.Pequenas confissões, partes de. São inúmeras mas não caberiam todas aqui.

13/10/2009

Viver a vida é fundamental.

Viver a vida é fundamental.
Muito se fala em mentalizar positivo em sua vida. Muito se prega em não se preocupar, e viver a "sua" vida e não a do outro. Perfeito.
Ocorre que a maioria das pessoas tem medo. Sim, pessoas, seres humanos de mais diversas idades, tipos físicos e colocação profissionais, têm medo. Medo do que? Se existiu um berço, uma educação familiar, escolar, uma referência, um ícone na vida de cada um?Medo de se expor e ser rídiculo em relacionamentos, muito pior, do que medo da prova, do concurso, de concorrer a vaga, de pular de pára-quedas ou de mergulhar noturno. Medo. Temer ansiosamente o futuro que o aguarda. Isto é se pré "ocupar", ocupar o tempo em algo que não conhece o resultado, que porventura não aconteceu, e que provavelmente não acontecerá tão ruim como se imagina, ou ao menos, o resultado pode ser um sucesso e não um fracasso como se "temia". Me indignam ainda, as pessoas que têm medo nesta parte por causa de outras, que talvez tenham passado em suas vidas e deixado marcas traumáticas negativas. Me indignam porque eu também já tive as pessoas marcantes negativas, e mesmo com o friozinho na barriga, na alma, por assim dizer, eu jamais neguei contato, jamais rotulei genericamente quem do meu convívio se tornasse. Sim, tenho os traumas, sim já usei terapia (e que excelente fase esta, de se descobrir com ajuda profissional!). Pois bem, nunca tive medo de viver, de me relacionar, de me conhecer melhor, ou ainda, de conhecer melhor as pessoas que me agradam, na real, quando me agradam procuro melhor saber tudo sobre elas. Especialmente se forem do sexo oposto, (risos) porque será?
Ter uma atitude de vencedor/vencedora. Acredito que isto que o maravilhoso Criador quer de nós. Aprendizado, crescimento, vida, aplicar o aprendizado, nem sempre aplicar e errar, aprender com os erros, seguir em frente. Fico sinceramente triste quando vejo uma situação de relacionamento onde tudo, à princípio corre bem, mas uma pessoa da dupla, do casal, por "medo de envolver-se" ou para "proteger o coração", "se preservar", ao invés de dar o passo seguinte natural em sua vida, retrocede. Isto é o famoso "pé atrás". Me pergunto: somos adultos ou não para lidar com nossas dores? Com nossos traumas? Até quando precisamos do colo do pai, da mãe ou de uma casca mentirosa protetora que somos sempre poderosos? Na verdade só mostramos na maioria das vezes, a bonita embalagem, a coragem, as certezas, os conselhos bons só para os amigos. Agora seguir nossos próprios? De nossas decisões tomadas a sós, lá no íntimo? Sabe? Seguir a primeira intuição? O dito primeiro feeling? Ah! Mas tenho medo, já sofri demais, por amigos falsos. Por falsos amores. Por "n" situações. E assim, talvez se perca a oportunidade de conhecer melhor uma pessoa bacana. Seja amor, seja companhia, seja amigo que pensa diferente de você. É assim: se quase morri afogada tenho pânico de água, todos têm que me entender e parar de querer que eu vá para a piscina...ótimo! Eu pergunto: nunca mais vou tomar banho? Nunca mais vou me molhar então? Vou sair correndo se não tiver abrigo quando chover porque a água caindo sobre o meu corpo pode me matar, me afogar?? Ora ora, faça-me o favor. Evidente que traumas são marcantes. Evidente que levam tempo para curar. Mas a questão é: eu quero me curar? Quero enfrentar meus medos de frente? Quero acabar com todos eles?
Não, não é fácil, pois primeiro de tudo ter medo de alguma coisa e admitir isto, é sinal de "fraqueza". Será? Não. Creio que o primeiro passo para enfrentar o medo é vê-lo de frente, estabelecer assim uma conversa de boteco com ele: "Uma cerveja, dois copos por favor". Coloque um copo para você e outro para servir seu medo. É, faça dele seu parceiro. Converse:
"Camarada é o seguinte: Você tem ficado tempo demais comigo, agora tá na hora de você seguir viagem, só que eu fico, correto?". Ele vai retrucar você, óbvio, vai querer te convencer que são parceiros, amigos há tanto tempo que não vai conseguir andar sem ele. Imagine. Vai sim. Deixa o teu medo partir depois do boteco. Deixa que ele se vá com prévio aviso, porque você antes de encontrar com ele no boteco, se encarou no espelho e viu de relance a coragem do seu lado. Mas o medo era tão próximo de você que ficou entre vocês e ela, a coragem, não conseguiu te encarar. Encare. Tenho medo disto, daquilo, daquilo outro, pense, anote, faça as projeções que tem que fazer dos prós e contras para resolver. Resolva, se for para pular de pára-quedas procure instrutor, se for para conhecer sua mente, uma terapia, se for trauma de idioma, procure o curso...e assim por diante. Putz! E se for medo de se relacionar? De se envolver com alguém de verdade? Bom, diz a Martha Medeiros que quem não quer se envolver que namore uma planta. Tenho que concordar com ela. Se eu fosse viver os meus medos todos que eu tenho sem enfrentá-los, não teria namorado mais depois dos quinze anos, não teria ficado noiva depois dos dezoito, não teria namorado de novo depois dos vinte e um, não teria me casado aos trinta, e não teria me separado antes de completar trinta e sete. Obviamente a receita não é igual para todos. Mas dando meu próprio exemplo, eu apenas quero deixar claro que, para cada fase da vida, existe sim algo a enfrentar. Existe sim, um medo para levar ao boteco. E existe a infinita possibilidade de também, ao levar seu medo para passear e se despedir dele, que a coragem que esteja ao seu lado te traga inúmeros momentos felizes para viver e recordar, ao lado de alguém que te acalme, te faça feliz e esteja contigo em todas as piores horas, não só nas festas...
Que todo trauma na vida de alguém não seja tão largo,tão forte e tão alto, que não se possa enxergar a coragem que carrega, ainda que esta seja anã.
Que a vida seja vivida e os problemas enfrentados um a um, com ou sem terapia, com ajuda de amigos, parentes ícones e com a sua própria porque a decisão no fundo é sempre a sua.
Que os seres humanos que nos cercam continuem fazendo parte de nossas vidas e que tenhamos capacidade de não despejá-los de nosso íntimo, quando notarmos que eles estão com uma chave do nosso pequeno coração, porque sinceramente, viver a vida é fundamental, e sozinhos não fazemos verão. Se sentirmos a falta de palavras para definir o que sentimos por determinada companhia, que não deixemos a companhia partir.
Sinceramente, amigos são para sempre até que os mesmos combinem nossos anseios. Mas uma pessoa mais cúmplice e mais especial junto conosco, é que nos motivam a fazer grandes feitos.
E se eu estiver louca, e se não for assim, vai valer a pena de qualquer jeito, porque defeito por defeito eu já me cansei dos meus, quero é aprender a conviver com os dos outros. E quando me proponho, até aprendo.
Agora, me dá licença, que estou "devendo" uma breja para meu medo antes de me matricular para a natação...
Boa sorte para todos nós.

22/09/2009

Fraco.

Ser fraco, é fazer papel adverso ao que se pretende mostrar.
Ser fraco, é ser covarde e não enfrentar de cara, a verdade.
Ser fraco, é se deixar levar por futilidades.
Ser fraco, é se conduzir, pelo mais fácil e mais cômodo.
Ser fraco, é não dar valor a quem se importa, não se importar, e por isto, perder.
Ser fraco, na real, é aprontar para alguém e não querer se desculpar.
Ser fraco, é ter a destreza de desencantar alguém especial.
Tanta fraqueza, seria mais apropriada a quem é na verdade, jovem e frágil, ainda.
Tanta fraqueza, não cabe confortavelmente, em homem feito.
Mas se é homem feito, onde está a mentalidade que deveria vir de brinde e acompanhar?
Peter pan, só em conto de fadas...e as fadas, ainda são mais dedicidas do que o fraco.
Até mesmo os anjos são mais maduros que o fraco, ainda que tão puros...
Infelizmente, o fracasso é mesmo o teu, e a prova viva deste evento, sou eu.
Não é a toa, que ser fraco é perder, pensa...o F é a sexta letra do alfabeto, nem em terceiro lugar está...enquanto o "C" de coragem vem primeiro, mas só permanece, se você assim deixar.
Quem nada faz, para consertar os erros, se arrepende amargamente, leve o tempo que levar.
Mas para se arrepender quando se erra, antes é preciso humildade para consentir que errou.
Que síntese: o perdedor é um soberbo enrustido, um ausente de coragem...

18/09/2009

Lembranças do Guarujá.

Era uma destas madrugadas insones, em que havia resolvido arrumar suas gavetas do escritório.
Se mudara há alguns meses, mas ainda pendentes, certas organizações de papéis.
Remexeu umas caixas em prateleiras, eis que um de seus livros tombou e caiu aberto no chão...o que fez com que o billhete aparecesse:
"TE BEIJARIA DOS PÉS A CABEÇA, SE ASSIM PERMITIDO....
SEM PRESSA, SEM RISCO, SEM TEMPO, SEM SER CONTIDO
FARIA VOCÊ VOAR E SEM DESTINO, SENTIR ALGO DIVINO,
COISA SEM TIPO, AMOR SEM PRÓLOGO, SENTIR SEM DESATINO
SÓ VOCÊ PRA MIM, SEM FIM, SEM ACABAR, SEM TEMPO PRA FECHAR....
ATÉ VOCÊ ME PEDIR PRA PARAR, EXAUSTA, CONTIDA,
SEM AR E SEM PRESSA...COM A BOCA SECA DE TANTO SENTIR E DE TANTO PEDIR."
Fechou os olhos e sorriu. E foi então que se lembrou dele, o amigo da escola primária, que muito admirava, o qual acompanhara o desempenho durante toda a infância e que, reencontrara anos depois, já adulto, em uma festa de casamento, no litoral de São Paulo.
Ela, usava o vestido elegante, azul royal. Ele, terno cinza chumbo, com risca de giz. Noite de sexta-feira, verão, casamento de amiga em comum, os dois conversavam animadamente.
Ele estava noivo, mas sua noiva se ausentara a trabalho. Ela, namorando, e o namorado por impedimento do tempo chuvoso nublado na estrada, decidira retornar e não comparecer a festa, pois era de outra cidade mais longe.
Cumprimentos após, trocavam lembranças infantis escolares. Eis que a festa chegava quase ao fim, e eles dediciram se despedir dos noivos. Ele cansado, tinha que pegar novamente a estrada a caminho de casa na capital paulistana. Ela, iria dormir na casa da praia, na mesma cidade onde se passava a festa, Guarujá.
"Porque você não dorme em casa, e vai de manhã, mais descansado, pegar a estrada após o café?" Sugeriu ela.
"Não gosto de incomodar", ele respondeu, "e depois, não vim preparado para dormir fora."
"Bobagem, pode usar as roupas do meu irmão, que tem o mesmo tamanho que você, e depois, amigos são para isto." Retrucou a moça cordialmente com um sorriso, o enlaçando pela cintura.
"Está bem, eu aceito, mas só se continuarmos nossa conversa com um café", por fim respondeu o rapaz.
E foi assim, noite adentro, após se instalarem na casa, que beirava a faixa de areia, onde das imensas janelas, era possível mirar as ondas do mar e escutar suas idas e vindas com som peculiar. Fluía a conversa sobre toda a infância, amigos, amores, dores, descobertas.
Estavam na sala do "home theater", sentados no chão, entre almofadas, quando o rapaz, pegou no sono, primeiro. Ela então, o conduziu lentamente até o bicama, e o deitou gentilmente, cobrindo-o com uma fina colcha e se retirou para seu quarto, mas não antes, de olhar bem no rosto adormecido do rapaz e fixar na memória aquele momento único...que homem lindo! Que criança curiosa ele era, e que menino atraente, bonito, desde a infância, apesar de amigo, mexia com ela quando menina, tímida que era, jamais havia mencionado isto. E agora mulher, sabia, que o atraente tinha algo a haver com "desejo", mas também que a admiração era diretamente ligada ao "intelecto" que sempre estava em primeiro plano...
Já em seu quarto, algumas leituras após, adormeceu. Horas haviam se passado, quando finalmente acordou. Lentamente desperta, desceu as escadas, a procura do amigo, no mesmo local onde o havia deixado na noite anterior. Para sua surpresa, tudo arrumado, como se ninguém lá estivesse e tampouco houvesse tocado em nada. Caminhou apressadamente por todos os aposentos da casa, e nada do rapaz, ou de qualquer sinal de que estivesse ali.
"Sonhei?" Pensou. E no seu quarto, o vestido azul royal repousado sobre a poltrona clara.
Ao quase se dar conta, de que, talvez tivesse sonhado, olhou em sua mesa de cabeceira, o livro que lia durante a madrugada, o qual, ao invés do marcador de costume, apresentava pequeno e branco papel na recente página lida.
Eram palavras, com a "ex-caligrafia" do amigo de infância, letras agora, de um homem feito, palavras que surpreendem e afetam a mente, o mesmo bilhete, que agora apertava contra o peito enquanto suspirava e que, hoje, relia mentalmente, sem precisar ler.
Palavras escritas, jamais ditas, olhares não trocados, mas imaginados, sensações que não se efetivaram, silenciadas pela distância entre dois seres, e seus compromissos amorosos da ocasião.
Imaginação fértil, tragada pelo sono, pelo cansaço.
Vivenciar desejos não exteriorizados e expressá-los em letras, é uma arte ímpar.
A compreensão destes, pertence só aos verdadeiros e íntimos cúmplices.
Não soube mais nada do rapaz na época. Nem mesmo, porque silenciou tal emoção conjunta.

04/09/2009

O tapete

Lua cheia. Os dois trocavam olhares no sofá. "Você aceita um Carmenere?" Sugeriu o homem discretamente. "Sim, um dos meus preferidos...mas como foi que adivinhou?" Sorri a moça encantada com a situação. "Um brinde" diz ele, olhando nos olhos dela com força. Eis que ressalta: "Seus olhos brilham sempre assim?". "Não", ela responde - "Só quando se encontram com os teus". "Que bom, temos uma romântica na sala" e ri de volta o rapaz. "Mais vinho?" Novamente oferece ele. "Sim". E ambos, ao levantarem em direção a mesa de puro cristal onde a garrafa de vinho estava, se encostaram, ombros de leve, se tocaram devagar. Sorriram. Ele, mais decidido, lhe passava o braço pelas costas, sentido o seu vestido florido e em um instante, parecia sentir que as flores do tecido desabrochavam...Ela por sua vez, deu um passo para trás, tentando se desvincilhar do óbvio contato, inicialmente inocente, mas por ora, sutilamente, sedutor. "Não fujas de mim", ele balbuciou. "Sua pele, tão macia!". Ela, com receio, tenta escapar do abraço, e novamente, ele a alcança. "Me deixa. Não faz isto", suplica a moça com o corpo arrepiado pelo toque, já meio que ardendo em desejo que tenta esconder."Nunca!", o rapaz declara, abraçando-a com atitude, de modo a impedir que escapasse. E, na sequência poderosa desta atração, seus lábios se resvalam no pescoço dela, até chegar ao seu colo, liso, macio, e sardento.

Tentativa inútil da moça, de fugir de sua paixão guardada, pois ele a puxa contra si e a acaricia, não mais tão gentil, agora, dominante da situação de luta corpórea travada, em êxtase, apressadamente, e sem culpa, suas mãos se perdem no corpo dela em diversos movimentos, explorando, cada parte, de sua cintura, quadris, seios, colo e ombros, onde seus beijos acompanham lentamente, em intervalos propositais, para fazê-la arrepiar e ceder à situação visceral que começara. Ela, já sem controle, lhe arranca a camisa, em movimento acelerado, quase que violentando seus botões, de tamanha vontade de colar o corpo no dele, em ritmo ideal de dois amantes que brindam com um vinho sob a luz do luar.
Toda a sequência de atos maliciosos, por vezes, delicados, tomou conta dos dois em idêntica frequência: ele semi-despido, arranca-lhe o vestido florido, lhe entorpece de beijos e lhe puxa gentilmente ao chão, sobre enorme e macio tapete...ela, por sua vez, como uma fêmea no cio, cede ao encantador paladar que sente dos beijos dele, e se deita, aproveitando para tirar dele, as calças, a roupa de baixo, e já comprimir o corpo dele, com uma chave de pernas forte, o que o surpreende. Já não mais existe o casal receioso do início, e sim dois sonhadores em frenesi, se acaricando, amando e ardendo em chamas imaginárias de tanto prazer!
O gozo efetivo, premia o ato completo, e ambos gemem, ao mesmo tempo e tom, exasperados, agraciados e saciados um pelo outro.
Sorriem. Ainda encaixados, ela o aperta com todas as partes de seu corpo, inclusive no seu membro, que novamente erijeçe, tamanho é o prazer inesperado da contração interna que se segue.
Respiram fundo. Se entreolham. E juntos, abraçados, adormecem sobre o macio e aconchegante tapete daquela sala.

21/08/2009

Irmã.


Só você, por vezes tem a cura para alguns de meus devaneios, pois se parece comigo, do avesso. Certos dias, penso que você é a mais velha e eu a caçula...e dai vem você, em nossas conversas tecladas: vai ficar tudo bem gata, acredite...Como pode uma Déborah viver fora do Brasa? Pode, porque Odara que é Odara persiste, luta, caminha, avança, pode até tropeçar no itinerário, mas não pára jamais, estou aprendendo melhor, quem é você irmã! Não te vejo quase, não te miro os olhos, mas te ouço, com toda atenção possível, me alimentando de seus textos, de sua voz alegre acelerada e tento ser mais rápida que o teclado, na ânsia de recomendar tudo o que penso, tudo o que quero que você seja, sinta ou passe! É, sei que você já cresceu né? Mas irmã mais velha é isto mega cuidados...rs. Minha irmã bonita, minha menina rica, minha amiga temporona, minha esmeralda bruta de valor insubstituível, alma de anciã em corpo jovem, sincera, avassadora mulher, guerreira de sangue, determinada: TE AMO! FELIZ DIA!SAUDADES...

10/08/2009

Flores


Flores no cabelo para ele. Ele, que a encantou quando cantou "se esta rua fosse minha, eu mandava ladrilhar, para você, meu amor passar...". Ele, que a fez chorar, e a fez sorrir em menos de vinte e quatro horas de emoção.

A moça mirava-se no espelho se preparando para seu amado. A flor no cabelo. O perfume preferido dela, que também encantou o homem. O mesmo homem, que não se sabe como, a amou à primeira vista, em inusitado encontro no aeroporto, para levar o amigo, que iria embarcar em viagem internacional. Ela, sentada próxima do chek-in, aguardando sua prima com particularidades burocráticas, tímida e seleta, folheava uma revista, aleatoriamente. Quando ele a interrompeu, pedindo informações sobre a localização do portão de embarque.

Tudo assim tão simples, se não houvesse o fato de que, naquela época, ela namorava há pouco, um jovem rapaz. Lembrava-se agora, quantas voltas, em rápido período, sua vida, tinha dado.

Terminara o namoro, reatara com o antigo amor, em frenesi urgente de "ter o amor de verdade", o que viveria com ela e morreria? por ela? Bem...nem tudo na vida são flores, mas neste caso, bastaram alguns dias ao lado do antigo amor, para se descobrir então, que tudo era pouco, diante de sua expectativa de felicidade eterna. Como a vida prega peças...ainda mais nesta moça. Do atual amor, no dia de seu aniversário, recebera um "não posso dormir contigo esta noite, que estou muito cansado para sair de casa". Do ex-namorado recente, um recado em sua "secretária eletrônica", uma analogia, que tinha a haver com flores, e que no momento, para ela, quase nada significara, por ser tão cifrado o recado...e de um suposto, novo e gentil amigo, um belo texto em sua caixa de correspondência, uma linda carta...

Menos de um mês de sua nova idade, de seu "ano novo" e lá estava a moça diante do espelho, se maquiando e refletindo com um pequeno sorriso. Confiante, tranquila, colocando a sua flor dourada nos cabelos cacheados...tocando-os com calma e suspirando! E o suspiro na convicção que se instalava, naquele coração sofrido, por armaguras antigas de amores desencontrados, ilusões perdidas, sonhos despedaçados, deu formato a um largo sorriso, quando os lábios se abriram em meia lua, para que a moça passasse seu batom rubro, e apertasse um lábio contra o outro para "carimbar" a cor escolhida.

Ajeitou novamente o cabelo e sorriu. O encontro era o menos esperado possível, iria rever o suposto novo amigo, que aos poucos, se chegara em seu coração, lhe apertara a alma com candura e havia lhe abraçado na noite anterior e lhe arrancado suavemente um beijo. A lembrança era boa, como se sempre eles houvessem se abraçado. E hoje, ela iria ao novo e recente encontro, do homem encantador, que ansiava desvendar, com sua flor no cabelo, para fazer-lhe um mimo, agradá-lo. Nem o ex-amor antigo, nem o ex-amor recente, amor recém- nascido mesmo, que parecia trazer um bom presságio de ano novo que ela iria viver...Sorriu. E pegando sua bolsa e trancando a porta de sua casa, lembrou-se então, do recado de seu aniversário, que agora parecia entender bem melhor e aceitar: "...para dizer que não falei das flores. Eu disse flores?" Sim, disse. E era mesmo verdade, na vida desta moça, nos altos e baixos, nas agonias mais profundas, e nas felicidades mais plenas que se pode vivenciar, sempre as rodeavam, sempre haviam, "flores".